terça-feira, 26 de março de 2013

Posted by Marcelino Paulo Ferreira Posted on 09:24 | No comments

Semana Santa, da Quaresma até à Páscoa

Eis-nos diante do itinerário dramático de Jesus Cristo, nosso Salvador: desde a entrada em Jerusalém até à deposição no sepulcro. Em tudo, o Pai confirma o Filho na missão; e o Filho cumpre-a. Façamos nossa a prece da Igreja: «Aumenta a fé daqueles que esperam em ti, Senhor».
Somos convidados a guardar os ensinamentos da Paixão de Jesus Cristo para tomar parte na sua Ressurreição. O que é que significa «guardar os ensinamentos da Paixão»? Significa deixar-se iluminar pelo Servo humilde que se une totalmente ao Pai: «Não se faça a minha vontade, mas a tua». Escutemos. Contemplemos. 
Como vou acompanhar Jesus Cristo durante esta Semana Santa? 
Este ano, Ano da Fé, vamos celebrar com maior devoção e interesse este mistério admirável da nossa fé: a Paixão e a Ressurreição de Jesus Cristo. Quando celebramos a Eucaristia, no memorial da Última Ceia, uma das aclamações previstas no Missal é: «Mistério da fé para a salvação do mundo!». E toda a assembleia proclama: «Glória a Vós que morrestes na Cruz e agora viveis para sempre. Salvador do mundo, salvai-nos. Vinde, Senhor Jesus!». 
É importante recuperar o sentido profundo do mistério da fé que celebramos e que vamos contemplar detalhadamente ao longo da Semana Santa. 
No contexto da vida e da história humana, unidos a todos os que sofrem, nestes tempos dolorosos e difíceis, querendo também partilhar todos os esforços nobres e valiosos que sempre surgem neste nosso mundo, celebramos o caminho de Jesus Cristo, a sua entrega por amor até à morte e ressurreição, que é para nós promessa de vida para sempre com Deus. 
Esta é a nossa fé! «Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, [...]. Por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras». 

Procuremos ler o evangelho segundo Lucas, capítulos 22 e 23. Em casa. Individualmente ou em família. Com calma. Ao longo destes dias da Semana Santa. Com confiança. Dispostos a acolher a salvação como um dom de Deus.

© Laboratório da fé



segunda-feira, 18 de março de 2013

Posted by Marcelino Paulo Ferreira Posted on 11:48 | No comments

Quinta semana da Quaresma

— Quinta Semana da Quaresma [no Ciclo C de Cortés (RD-Herder)] —


Jesus ensina a perdoar


O perdão como instrumento principal 

do trabalho evangelizador


Jesus salva uma mulher adúltera do apedrejamento (DOMINGO: «Ninguém te condenou? [...] Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar»). E afirma que não veio para julgar ninguém, mas para ser luz (SEGUNDA: «Eu sou a luz do mundo. Quem me segue [...] terá a luz da vida»). Talvez porque recorde que a sua própria mãe poderia ter sido acusada de adultério (TERÇA: «Antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida»).
Os seus inimigos não aceitam ser tratados como filhos do adultério (QUARTA: «Nós não somos filhos ilegítimos»), uma vez que lhes diz que não sabem quem é o pai deles (QUINTA: «Vós não O conheceis»); com tudo isto, no fim quem corre o risco de ser apedrejado é Jesus (SEXTA: «Agarraram em pedras para apedrejarem Jesus»), pois já estão decididos a matá-lo (SÁBADO: «A partir desse dia, decidiram matar Jesus»). Assim o farão na próxima semana!
Por tudo isto, ficam claras duas atitudes: a de Jesus (e dos seus discípulos), que identificamos com o perdão; e a dos que não são como Jesus, que relacionamos com a violência e a intransigência.
Esta semana falaremos de perdão.

Não nos mandam julgar as pessoas, mas a transmitir-lhes a mensagem da bondade de Deus e do seu Reino. Nesta semana, tentaremos aprender a utilizar o perdão como instrumento do nosso trabalho evangelizador.

© José Luis Cortés — El ciclo C, Herder Editorial 
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —


domingo, 3 de março de 2013

Posted by Marcelino Paulo Ferreira Posted on 19:45 | No comments

Terceira semana da Quaresma

 [no Ciclo C de Cortés (RD-Herder)] —


Jesus conhece bem todos os aspetos da sociedade onde vive e se movimenta


«Não mudaremos o mundo 

se não soubermos em que mundo vivemos»


Embora saibamos que é o essencial da mensagem cristã e embora tenhamos critérios diferentes para avaliar a realidade, não mudaremos o mundo se não soubermos em que mundo vivemos. Nesta semana, Jesus dá-nos a quarta lição do «mestrado»: o conhecimento da realidade, a necessidade de perceber os sinais dos tempos para que a nossa ação seja eficaz.
Jesus, como sempre, também nos serve aqui de exemplo ao demonstrar que conhece bem todos os aspetos da sociedade onde vive e se movimenta: desde o capítulo dos acontecimentos (DOMINGO: «Aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou») até à meteorologia (SEGUNDA: «O céu se fechou durante três anos e seis meses»), incluindo naturalmente a economia (TERÇA: «Não tendo com que pagar»), os assuntos sociorreligiosos (QUARTA: «Se alguém transgredir um só destes mandamentos»), a política (QUINTA: «Todo o reino dividido contra si mesmo»), a ação social (SEXTA: «Amar o próximo») ou a estratificação de classes (SÁBADO: «Um era fariseu e o outro publicano»).

Dediquemos esta semana a refletir sobre como é o nosso conhecimento do mundo, até que ponto conhecemos a realidade onde vivemos. Se é só teórico, unicamente teremos teorias, irreversíveis para a vida.

© José Luis Cortés — El ciclo C, Herder Editorial 
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Posted by Marcelino Paulo Ferreira Posted on 02:24 | No comments

Segunda Semana da Quaresma

— no Ciclo C de Cortés (RD-Herder) —


A pequenez como verdadeira grandeza


«Quem entre vós quiser tornar-se grande 

seja vosso servo»


Nesta terceira lição do seu «mestrado», Jesus ensina-nos que os seus discípulos, precisamente porque viram a sua glória (DOMINGO: «Despertando, viram a glória de Jesus»), entenderam que só serão semelhantes a Deus se forem compassivos (SEGUNDA: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso»), irmãos de todos (TERÇA: «Vós sois todos irmãos»), servos dos outros (QUARTA: «Quem entre vós quiser tornar-se grande seja vosso servo»), situados ao lado dos pobres (QUINTA: «Um pobre chamado Lázaro»), pedras rejeitadas (SEXTA: «A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular»), filhos pródigos (SÁBADO: «Certo homem tinha dois filhos»); só estes — aos nossos olhos parecem perdidos e equivocados — alcançarão a glória de Abraão, a ternura de Deus Pai.
Esta re-valorização, esta forma distinta de valorizar as coisas (muito diferente da do «mundo»), a si mesmos e as pessoas, é essencial para um anunciador do Evangelho.

Uma semana em que submeteremos à crítica a nossa maneira de qualificar as coisas, as pessoas, os objetivos, os meios e os resultados (êxitos e fracassos).

© José Luis Cortés — El ciclo C, Herder Editorial 
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Posted by Marcelino Paulo Ferreira Posted on 21:37 | No comments

Primeira Semana da Quaresma

— [no Ciclo C de Cortés (RD-Herder)] —


Distinguir o importante do supérfluo


Jesus encoraja-nos a sintetizar


Na intimidade da Quaresma, Jesus continua a dar-nos o seu peculiar «curso de catequese» («Mestrado em Jesus») àqueles que, hoje em dia, queremos ser seu discípulo — lição sobre o núcleo da mensagem (17 a 23 de fevereiro): «core business», o miolo da mensagem que tem de ser transmitida pelo discípulo de Jesus.
Nesta «lição magistral», Jesus previne-nos sobre a ratoeira das tentações do «só pão/só glória/só religião» (DOMINGO: «Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo Diabo»), para nos centrarmos no essencial: o mais humilde dos irmãos (SEGUNDA: «a Mim o fizestes»); perdoar (TERÇA: «Se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará»); fazer o bem (QUINTA: «esta é a Lei e os Profetas»); ser bons em tudo (SÁBADO: «sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito»).
Estes são os sinais essenciais que temos que mostrar a esta geração que, como todas as gerações, pede um sinal (QUARTA: «Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal»), sabendo que o que fizermos na terra será o que levaremos para os céus (SEXTA: «tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus»).

Esta semana Jesus encoraja-nos a sintetizar, a entender o núcleo do que vamos transmitir aos nossos contemporâneos. Saber o que é essencial e o que é secundário é importantíssimo.

© José Luis Cortés — El ciclo C, Herder Editorial 
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Posted by Marcelino Paulo Ferreira Posted on 16:00 | No comments

Quaresma de fé

— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Pedro Jaramillo coloca por escrito as suas reflexões para a Quaresma de 2013, que coincide com o «Ano da Fé». Uma reflexão pessoal para partilhar com a sua comunidade de São João da Cruz, na cidade da Guatemala. Em boa hora, decidiu também partilhar com os leitores do seu blog «Todo tiene su momento». Trata-se de uma proposta de reflexão para cada dia da Quaresma (exceto para os domingos). O mais específico desta proposta consiste na última parte (depois da reflexão bíblica) que intitula «Sinais para o caminho de fé». O «tempo favorável» que é sempre a Quaresma, é-o desta vez duplamente: pela Quaresma e pelo «Ano da Fé».

— Reflexão para cada dia da Quaresma [exceto domingos] — > > >


Posted by Marcelino Paulo Ferreira Posted on 15:00 | No comments

Quaresma — «Mestrado em Jesus»

— Quaresma [texto inspirado no Ciclo C de Cortés (RD-Herder)] —

Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos [Lucas 15, 32]


Jesus convida-nos a ir com ele para um lugar tranquilo para receber, através dos seus ensinamentos, um «mestrado em Jesus», isto é, aprofundar o Evangelho.
Este mestrado dura quarenta dias (tal como a Quaresma) e consta de sete lições magistrais:
  • 1.ª - sobre o estilo (13 a 16 de fevereiro): classe magistral sobre «a forma de ser» dos discípulos de Jesus;
  • 2.ª - sobre o núcleo da mensagem (17 a 23 de fevereiro): «core business», o miolo da mensagem que tem de ser transmitida pelo discípulo de Jesus; > > >
  • 3.ª - sobre o enfoque (24 de fevereiro a 2 de março): «focus», a pequenez entendida como verdadeira grandeza; > > >
  • 4.ª - sobre o trabalho de campo I (3 a 9 de março): «fieldwork», o conhecimento da realidade, a necessidade de perceber os sinais dos tempos para que a nossa ação seja eficaz; > > >
  • 5.ª - sobre o trabalho de campo II (10 a 16 de março): «fieldwork», o conhecimento de Deus, a necessidade de perceber Deus para que a nossa ação seja profunda;
  • 6.ª - sobre a atitude e a técnica do apostolado (17 a 23 de março): «tools», o perdão e a misericórdia como instrumentos de trabalho;
  • 7.ª - sobre as equipas (24 a 30 de março): «the team», a comunidade como espaço imprescindível para a vivência do Evangelho.
Tomemos bons apontamentos, porque teremos de fazer um exame final; e porque imediatamente depois da Quaresma (na Páscoa) começam as aulas práticas.

© Laboratório da fé, 2013

Posted by Marcelino Paulo Ferreira Posted on 12:00 | No comments

Seguir Jesus Cristo [na Quaresma]

— Oração para todos os dias da Quaresma —

Senhor Jesus,
eu quero seguir-te. 

Tu ias pelos caminhos e encontravas as crianças; 
encaminha-me para as crianças que precisam da minha ajuda. 

Tu ias pelas ruas e curavas os doentes; 
conduz-me ao encontro dos feridos da vida 
que esperam uma presença. 

Tu ias pelas estradas 
anunciando a Boa Nova e partilhando o pão; 
guia-me ao encontro dos que têm fome de ti e da tua palavra. 

Tu ias visitar os amigos 
e a tua simples presença interpelava-os a favor dos pobres; 
conduz-me até à casa das pessoas que têm o coração aberto à compaixão. 

Tu ias repousar em lugares isolados; 
mostra-me o caminho do silêncio que dá paz e abre à sabedoria. 

Tu ias rezar à sinagoga e ao Templo; 
leva-me para lugares onde, com outros, 
possa entrar numa relação com o Pai. 

Tu percorreste o caminho do Calvário carregando a cruz; 
ajuda-me a atravessar o sofrimento e a dar-lhe sentido. 

Senhor Jesus, eu quero seguir-te; 
coloco a minha mão na tua mão, 
os meus passos nos teus passos, 
o meu coração no teu coração. 
Amén.

— Reflexão para todos os dias da Quaresma — > > >

© Denise Lamarche, «Vie Liturgique», Novalis - Bayard Presse Canada inc.
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização —


Posted by Marcelino Paulo Ferreira Posted on 02:14 | No comments

Quaresma 2013

«Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos» [Lucas 15, 32]


A Quaresma não pode ser um tempo de meras práticas rituais de outros tempos. A Quaresma tem de ser uma experiência atualizada de forma criativa, na nossa vida e nas nossas comunidades, para seguir (com) Jesus. 
A Quaresma é um desafio à conversão. O principal objetivo que orienta o plano pastoral consiste em «redescobrir a identidade cristã e o dom da fé, para uma ‘autêntica e renovada conversão ao Senhor’ Jesus Cristo». Muitos cristãos vivem hoje a fé ignorando o grande projeto que Deus tem para continuar a mudar o mundo, para tornar possível uma vida mais humana. Não sabem que esse projeto, ao qual Jesus chama «reino de Deus», é o objetivo de toda a sua vida e também a principal razão da sua condenação. «Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado». Chegou o momento de recuperar o projeto do reino de Deus, nas nossas comunidades. A Quaresma tem de nos ajudar a entrar na dinâmica do reino de Deus, dando o nosso contributo para a construção de um mundo mais saudável, mais digno, mais humano, mais alegre para todos, a começar pelos «últimos».
A Quaresma é um itinerário para a Luz Pascal. É o Espírito Santo, o mesmo que conduziu Jesus, que nos conduz à renovação do compromisso do Batismo, na celebração da Vigília Pascal. Este compromisso adquire, neste Ano da Fé, uma dimensão especial. «Professo um só batismo para remissão dos pecados». Somos batizados pelo Espírito, o único que pode regenerar a fé débil e vacilante das nossas comunidades. Tudo o resto vem a seguir! Em primeiro lugar é preciso seguir Jesus e seguir com Jesus. Temos de enraizar a nossa fé em Jesus Cristo como a única verdade que nos permite viver e caminhar de forma criativa e alegre em direção ao futuro. O maior risco que podemos correr é pretender ser cristãos sem seguir Jesus. O tempo quaresmal há de ajudar-nos a dar conteúdo a esse seguimento. Jesus convida-nos a ir com ele para um lugar tranquilo para receber, através dos seus ensinamentos, um «mestrado em Jesus», isto é, aprofundar o Evangelho.
A Quaresma é um tempo propício para o exercício da caridade. «A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da Fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros. [...] Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino que é capaz de nos fazer ‘enamorar do Amor’, para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros» (Mensagem do Papa para a Quaresma).
A Quaresma prepara-nos para a alegria e a festa. Um dos exemplos evidentes deste amor gratuito de Deus está patente na figura do Pai Misericordioso revelado na parábola do evangelho segundo Lucas. Jesus dirige-se, em primeiro lugar, aos que se consideram fiéis, bons praticantes da religião judaica; mas acreditam num Deus ausente, sem relação com o ser humano. Por isso, a maravilhosa conclusão que podemos retirar é que o pai da parábola é o mais humano de todas as personagens. Deus é mais humano do que os seus filhos! «Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos». O Deus de Jesus Cristo não (nos) deixa outra alternativa: corre ao encontro do filho mais novo e cobre-o de beijos; ao filho mais velho convida-o a entrar noutra lógica: sem festa e alegria não há paternidade nem filiação verdadeiras!

© Laboratório da fé, 2013


Posted by Marcelino Paulo Ferreira Posted on 02:11 | No comments

Quaresma — Ano C — 2013 —

— Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos —

Evangelho segundo Lucas 15, 1-3.11-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».